EPOM 2005, em PARATY
Um recorte bem humorado

Enquanto eu tiver perguntas e não houver respostas continuarei a escrever.
(Clarice Lispector, A hora da estrela)

Um projeto se faz com ideais, com o desejo de colocá-los em prática, com a determinação necessária para organizá-los em estratégias. Além disso, é preciso que aqueles que o constituem tenham consciência de que as falhas existem porque há trabalho (ou por que este deixou de ser feito na hora adequada) e, portanto, devem ser redirecionadoras da ação. Também não há projeto sem espaço para as questões emergentes demandando respostas, que nos levam a continuar em busca (a grande homenageada da FLIP neste ano, Clarice Lispector, é uma inspiração nesse sentido). E finalmente, é claro, um projeto é mais atraente quando temperado com muito bom humor.
Assim, o EPOM é um momento privilegiado para vivermos esses aspectos, através do encontro de toda a equipe Oga Mitá para uma imersão no projeto, em ambiente favorecedor da troca, do aprendizado, da renovação.
Neste ano, estivemos na III Festa Literária Internacional de Parati, de 6 a 10 de julho. Ali tivemos a oportunidade de interagir com os companheiros e interferir no ambiente, em cada mesa de debates, em cada atividade, em cada "flash" vivido.
Além das fotos, disponibilizamos neste site um "recorte" do EPOM na linguagem escrita (a literatura nos inspirou e desatou o pensamento). Para que vocês possam entendê-lo, vamos contextualizá-lo. No dia seguinte à nossa chegada, fizemos uma caminhada pelo Centro Histórico guiados pelo Caíque, do Espaço e Vida. Aprendemos bastante e, como não poderia deixar de ser, esse fato deu oportunidade para que o bom humor do grupo entrasse em ação. Assumimos o papel de estudantes e procuramos "alfinetar" nosso professor Caíque, transgredindo as regras, às vezes, mas assumindo que toda atenção era pouca, pois aquela era uma oportunidade imperdível. Dando vazão ao espírito gozador, também fizemos circular uma versão de que, após o passeio, haveria uma sabatina. Assim, após o EPOM, nasceu este texto, escrito pelo Marcus (secretaria da CB) e que circulou na equipe, fazendo-nos rir e reviver aqueles momentos tão felizes. Agora, divirtam-se também vocês com esta pseudo-história de Paraty:

Oi, pessoal, brevemente faremos uma sabatina sobre o que aprendemos no passeio turístico em Paraty. Então é melhor começar a estudar e relembrar um pouco da história e estórias que o famoso historiador Caíque do Espaço nos contou. Quase tudo é verdade, algumas coisas eu invento, mas não aumento!
Paraty foi fundada entre 1540 e 1606, no morro da Vila Velha (hoje Morro do Forte), ou no povoado da Capitania de São Vicente, ou como escreveu o também famoso historiador José de Souza Azevedo Pizarro e Araújo, no seu livro de memórias (dizem que ele tinha uma memória de elefante, será??):"Paraty foi fundada lá pelos anos 1600 e tantos"… O que temos certeza é que Paraty é afundada todos os dias pela maré.
Paraty tornou-se um grande entreposto comercial e seu desenvolvimento deveu-se à sua posição estratégica na Baía da Ilha Grande, com o chamado "Caminho do Ouro", e também à grande venda de objetos fabricados pelos presos do já famoso "Presídio da Ilha Grande", construído e projetado pelo famoso arquiteto/escritor Graciliano Ramos de Azevedo.
Paraty cresceu muito com os chamados "Barões do Café", que o cultivavam (mas não sabiam para o que ele servia), até que Dona Geralda Mellita, filha de piratas do Caribe e empresária da área da escoação de bananas para Portugal, de tanto escoar, inventou o escoador (digo, o coador) de café feito de palha, e assim ela criou o Café Palheta.
Mais tarde Dona Geralda e o Frei Agostinho criaram a Irmandade Maçônica N.S.dos Remédios, que existe até hoje com o nome de "Irmandade Maçônica das Drogarias Pacheco", a qual está em grande ascensão com uma "Loja" em cada esquina. Tudo isso aconteceu em 1700 e tantos. Mais ou menos em 1870 (vocês já notaram que ninguém tem certeza das datas corretas?) começou a decadência de Paraty. Foram atribuídos dois importantes fatos relacionados a essa decadência. O primeiro, dizem que foi devido à construção da ferrovia entre o Rio e São Paulo, através do "Vale do Paraíba". Esse nome foi dado em homenagem a Frei Agostinho e seus escravos, vindos de João Pessoa, nos famosos navios negreiros paraibanos chamados carinhosamente de navios pau-de-arara, que construíram a ferrovia. Dizem que eles também construíram a Igreja de Santa Rita, totalmente feita em barro, até hoje muito conhecida pelo seu estilo "Barroco". Depois do "Vale do Paraíba", Frei Agostinho entrou para a política e criou o "Vale do Paraíba Idoso", para os escravos de mais de 65 anos…
O segundo fato foi atribuído a um Grupo pertencente a uma vertente da maçonaria de Vila Isabel, na cidade do Rio de Janeiro, denominado Grêmio Recreativo das Escolas Inconfidentes, o GREI. Dizem que eles são adoradores do famoso Freinet. (Já notaram que tudo e todos são famosos nesta estória?) Como ia dizendo, dizem que Freinet é também um profeta. Em uma noite, nos reunimos na Pousada Vila Harmonia para um cachorro-quente coletivo. A equipe responsável se apropriou da cozinha e se dedicou à tarefa aos prantos (de tanto picar cebolas para o molho). E, ao final, dizem que Freinet fez o milagre da multiplicação das salsichas, e todos nós testemunhamos: as salsichas sobraram. Mas o caldo verde (no dia seguinte) faltou, e dizem que a culpa foi da tia Rosa, com sua mão santa. Mas essa já é outra estória...
Com o ciclo do café, a partir do século XIX, a cidade reviveu temporariamente. Paraty também começou a produzir pinga e outros derivados de cana e acabou virando sinônimo de pinga, com mais de 200 engenhos e casas de moenda.
Em 1966 Paraty foi tombada. (Acho que foi a enchente da maré!) Dizem que o Centro Histórico foi projetado pelo famoso arquiteto e urbanista Sergio Naya Ramos de Azevedo (vulgo Bin Laden Tupiniquim), que mais tarde viajou para o Rio de Janeiro e projetou as famosas torres chamadas de Palace I e Palace II, que também foram tombadas (literalmente).
No final dos anos 1970, foi construída a BR-101, a Rio-Santos, que por coincidência começa no Rio e acaba em Santos. E aí começou o ciclo do turismo, desta feita potencializado no conjunto paisagístico/arquitetônico, nas áreas florestadas, nas 65 ilhas e nas mais de 300 praias da região. E ainda dizem que Paraty é uma cidade de praia sem praia... Eu acho que quiseram dizer que Paraty tem mais de cem praias (e não "sem praias"). Inclusive tem até praia de barro (digo, de lama); lembrando nosso querido guia histórico, Caíque do Espaço, seriam as famosas praias barrocas de Paraty, todas muito honestas.
Para finalizar, Paraty foi declarada Patrimônio Histórico da Humanidade e é umas das mais belas cidades do Brasil, e todos temos que preservá-la.
Beijos a todos. Marcus

Veja as fotos deste momento inesquecível!

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