Moitará 2007

O sábado 16 de junho ficará em nossa memória como a festa em que tivemos mais “ogamitenses” por metro quadrado! A adesão foi ótima! A quantidade de pessoas foi tal que provocou um incidente não previsto pela empresa que controla o alarme da escola (e, obviamente, muito menos por nós): o alarme disparou! A explicação da empresa é que os sensores “interpretaram” tanto movimento como invasão, por isso a demora não-habitual para desativá-lo.
Se houve uma invasão, contudo, certamente foi de alegria e participação! Agradecemos a colaboração e compreensão de todos, pois nada disso arrefeceu o entusiasmo dos que lá estiveram, conferindo o belíssimo trabalho realizado por todas as turmas!
Este Moitará nos mostrou que crescemos em muitos aspectos e que, nos próximos grandes eventos, devemos tomar os espaços públicos ou locais mais amplos. E contamos com a presença de todos maciçamente, como desta vez!

O projeto Terras Brasileiras Sem Fronteiras foi uma bela expressão de nosso contato com o tema América Latina. Descobrimos pontos de proximidade, de diferenças e o quanto ainda temos a aprender sobre nossa região. Ganhamos com a troca, o encontro, a comemoração! Arriba!

Para quem perdeu... ou quer relembrar
Desde a entrada, no portão, o clima da festa já era dado pelos trabalhos de Artes das turmas da Maxwell. Seguindo pelo corredor, surgiam exposições variadas, como a da turma Xicrins e seus auto-retratos, realizados a partir de estudos das imagens pintadas pela artista mexicana Frida Kahlo.

Flores de papel crepom, à la Frida Kahlo, enfeitavam o corredor e a porta de entrada do prédio da frente.

Em qualquer ponto da festa, o público podia encontrar meninas da turma Xicrins, contando algumas histórias de Eduardo Galeano, que saíam de seus bolsos. E assim se chegava à quadra e ao pátio azul, onde a feijoada começou a ser servida. Apesar de a venda de ingressos haver começado no início da semana, muita gente deixou para adquiri-los na hora, ao ver os deliciosos pratos preparados pelo pessoal da cantina. Houve até fila, mas no final acreditamos que todos foram atendidos!

No pátio azul havia, ainda, venda de brinquedos, e a Oficina de Robótica da Pontes Correia expunha suas “engenhocas”. Ao fundo, no paredão, havia exposição do mapa tridimensional da América Latina feito pelos Kaxinawá, e os Potiguara expuseram um jogo Super Trunfo, realizado a partir dos dados pesquisados sobre a América Latina.

Às 14 horas, a Oficina de Teatro da Pontes deu início às apresentações com o “Auto do Boi Milagroso”, um festejo de rua tipicamente brasileiro. Em seguida, a crítica social de “Revolução na América do Sul”, de Augusto Boal, tomou a quadra, com o esquete encenado pelo grupo de Teatro do Hora Extra.

Às 14h30, o público se distribuiu pelas diversas salas, para participar de oficinas, jogos, exposições e exibição de vídeos (vejam comentários adiante).

Às 16h30, voltamos às apresentações na quadra em grande estilo, com as turmas Krenak realizando um desfile de carnaval contagiante, cantando com todo entusiasmo Soy loco por ti América – A Vila canta a latinidade, samba-enredo da escola campeã de 2006. 

Os Waiwai manhã e tarde pesquisaram as tribos indígenas do Brasil e descobriram quais povos indígenas habitam a América Latina. Eles emocionaram o público com a dança indígena Tché Nane.

Os Matis vieram em seguida, fazendo uma leitura sonorizada de trechos do poema-cordel de Ferreira Gullar, “Quem matou Aparecida”. E, enquanto o Xicrins se organizava, o alarme disparou, mas depois de tudo solucionado o público pôde ouvir seu arranjo em ritmo de alujá para a canção Volver a los diecisiete , de Violeta Parra.

Depois foi a hora de Tupiniquim, Waimiri Atroary e Yawalapiti manhã levantarem o público com a canção Soy loco por ti América (de Caetano Veloso e Capinam). Eles mostraram um arranjo à base de percussão, teclado e coro para a música composta logo após a morte de Ernesto Che Guevara.

A Oficina de Danças Brasileiras, da Pontes Correia, encerrou nosso encontro com a Dança do pau-de-fitas. Alguns historiadores afirmam que ela já existia na América antes de seu descobrimento e que ainda hoje é dançada pelos remanescentes dos maias. Nossas “dançadoras” se movimentaram em várias coreografias, trançando as fitas segundo vários desenhos, para alegria do público.

E o que rolou nas salas...

No hall do 1º andar, havia a exposição de trabalhos dos Matis, realizados a partir da observação das expressões dos retratos de crianças americanas, de Sebastião Salgado. (Esse trabalho também foi exibido no telão.)

Na sala ao lado, os Waimiry Atroary manhã e tarde e Tupiniquim manhã realizaram uma oficina de jogos da América Latina. Os Tupiniquim manhã e Waimiri Atroary manhã fizeram uma exposição de trabalhos sobre o PAN, enquanto os Matis dinamizaram jogos sobre a América Latina.

Subindo as escadas para o hall do 2º andar, já dava para ver a exposição de Cazumbas confeccionadas pelos Kaxinawá. Os Tupiniquim tarde também expuseram os frutos da pesquisa sobre os murais mexicanos e dinamizaram uma oficina de marcadores de livros ilustrados com motivos da arte mexicana.  Conte um conto “pralguém” foi uma exposição interativa de textos criados pela turma Matis, a partir da leitura de “Amor em Tom Maior”.

Enquanto isso, na sala dos Avá-Canoeiro, a Potiguara fez uma oficina de trabalhos com lã, inspirados na arte mexicana, dos índios Huchol. (Eles também expuseram seus próprios trabalhos no corredor de entrada.) Os Avá-Canoeiro fizeram oficina de cartões-postais e uma exposição sobre três países da América Latina.

Na Informática, os Kaxinawá faziam entrevistas com o público sobre suas memórias da ditadura.

Os Krenak manhã e tarde fizeram uma exposição e oficina com palavras, em que os participantes eram convidados a criar frases significativas para a América Latina. Nas paredes da sala também havia a personagem Mafalda tecendo comentários sobre vários fatos ocorridos nos países latino-americanos, num trabalho realizado pelos Kaxinawá.

Em sua própria sala, os Yawalapiti manhã montaram uma exposição de animais da América Latina e a oficina “Trunfo de Animais”. A turma Yawalapiti tarde fez uma exposição e oficina de confecção de pirâmides pelo mundo.

Na Sala do Amanayé foi alocado um telão, onde o público pôde assistir a vídeos e apresentações no Datashow: curta-metragem “Os Ninguéns” (produzido pela equipe da biblioteca da Pontes e Camila Leite); trabalho inspirado em fotos de Sebastião Salgado (Matis); Jornal do Moitará digital e contos animados (Xicrins); animação "Good-bye, Bush” (Oficina de Vídeo da Pontes Correia); apresentação em Power Point sobre o livro “Deuses da Luz” (Potiguara), entre outros. Nessa mesma sala estava exposto um cartaz confeccionado pelos Xicrins a partir da leitura do livro Eva Luna, de Isabel Allende, em que a personagem Eva, a primeira mulher, tem uma vida de pobreza e de lutas pela sobrevivência, num contexto em que o povo nunca decide o curso dos acontecimentos.

Na Sala do Horário Integral, os Kaimbé mostraram quantos jogos com bola conhecem e quantas outras bolas fizeram, em sua exposição. Os Waimiri Atroary manhã e tarde  levaram sua exposição de animais da América Latina. Os donos da sala, Integral manhã, fizeram uma exposição sobre grafite, enquanto o Integral tarde interagiu com o público com sua instalação de releituras do trabalho de Diego Rivera, Frida Kahlo, Botero, entre outros.

Na Sala do Waiwai, o Matis fez uma exposição do cotidiano da alimentação da América Latina, a partir da pesquisa feita pela Internet com pessoas que moram em países da América do Sul. E os Amanayé, ainda envolvidos com o projeto Príncipes e Princesas, mostraram o resultado da pesquisa sobre quais as histórias desse mesmo tema que as crianças de outros países da América Latina conhecem. Fizeram também uma oficina de adereços.

Na Sala do Kaimbé, o Waiwai manhã fez o público viajar na lenda “Nhanderu, A Lenda do Sol e da Lua”, de Hardy Guedes, por meio de um tapete de histórias. E o Waiwai tarde expôs colares indígenas, confeccionados pela turma, junto a um grande mapa da América Latina, localizando as tribos pesquisadas. Ofereceram também uma oficina de pintura facial, que muita alegrou a garotada.

Como podem ver, muitas foram as atrações que expressaram nossa caminhada!  Por isso, queremos finalizar esta panorâmica com o “Canto Noturno, do povo navajo” (em Memória do Fogo vol. 1, de Eduardo Galeano):

“(...)
Feliz, possa eu caminhar.
Feliz, com chuvas abundantes, possa caminhar.
Feliz, entre muitas folhas, possa caminhar.
Feliz, pelo rastro do pólen, possa caminhar.
Feliz, possa caminhar.
Que seja belo o que me espera.
Que seja belo o que deixo atrás.
Que seja belo o que está embaixo.
Que seja belo o que está em cima.
Que seja belo tudo o que me rodeia
Em beleza acabe.”